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Mercados sofrem fortes oscilações com o colapso das negociações de cessar-fogo com o Irão

Leia aqui o relatório completo do G10

A recuperação dos ativos de risco impulsionada pelo otimismo em torno do cessar-fogo ficou suspensa durante o fim de semana. As negociações de cessar-fogo entre os EUA e o Irão colapsaram no Paquistão, e os EUA anunciaram que o Estreito de Ormuz ficará bloqueado para navios com destino ou proveniência de portos iranianos.

Os mercados tentam filtrar a avalanche de notícias, mas tudo indica que os EUA estão a ponderar a retoma de ataques limitados ao Irão. Por enquanto, os mercados estão a receber a notícia com relativa serenidade: embora os preços do petróleo tenham subido, os futuros sobre ações tenham caído e o dólar tenha recuperado, ainda não regressámos aos níveis anteriores ao cessar-fogo. Isto sugere que os investidores encaram o colapso das negociações como um obstáculo no caminho e um sinal de pressão negocial, e não necessariamente como algo capaz de desviar a trajetória rumo à paz.

O colapso das negociações de paz veio, contudo, lançar incerteza nos mercados. As notícias provenientes da Casa Branca e os desenvolvimentos militares continuarão a ser os principais impulsionadores do mercado. O calendário económico também não oferece muitos elementos capazes de desviar as atenções da guerra. Os preços na produção nos EUA em março, divulgados na terça-feira, a produção industrial da Zona Euro em fevereiro na quarta-feira, e o PIB mensal do Reino Unido em fevereiro permitirão compreender melhor o impacto da guerra na atividade e nas pressões sobre os preços. Com a perspetiva de novos ataques norte-americanos e a certeza de um bloqueio aos portos iranianos, quaisquer expectativas de retoma da tendência descendente do dólar ficam agora adiadas.

EUR

A derrota do eurocético Primeiro-Ministro húngaro Viktor Orbán nas eleições do fim de semana deveria ter proporcionado pelo menos um suporte moderado ao euro, uma vez que elimina um obstáculo recorrente à tomada de decisões na União Europeia. No entanto, o colapso das negociações de cessar-fogo desloca todas as atenções de volta para a guerra. Não obstante o colapso das negociações, o EUR/USD continua a negociar ligeiramente abaixo do nível de 1,17, o que nos sugere que os operadores ainda estão cautelosamente otimistas quanto à prevalência do bom senso e de que a paz duradoura continua a ser mais provável do que o contrário.

Por agora, esperamos que a moeda comum seja condicionada por dois fatores opostos. A seu favor está a crescente orientação hawkish dos responsáveis do BCE, que está a reduzir o diferencial de taxas face ao dólar norte-americano. Contra ela pesam a exposição da Zona Euro a custos de energia mais elevados, enquanto importadora líquida de energia, e a natural fuga para a relativa segurança do dólar norte-americano enquanto o conflito persistir.

USD

A inflação nos EUA disparou em março, como esperado, devido ao forte aumento dos preços da gasolina, que fez subir o índice global em quase 1% num único mês. O subíndice subjacente portou-se melhor, mas o PCE de fevereiro contrariou esta boa notícia, registando uma taxa anualizada a três meses de quase 5%. O índice de preços na produção de março, divulgado na terça-feira, não mereceria normalmente grande atenção. Contudo, enquanto indicador-chave da forma como o choque energético se propaga ao longo do processo produtivo, acompanharemos este relatório com especial atenção.

Outros dados apontam para um impacto ainda bastante limitado da guerra na economia norte-americana, à exceção da subida dos preços da gasolina, que não é particularmente dramática em termos históricos. Os participantes do mercado continuam a acreditar que a Reserva Federal ignorará estas subidas temporárias da inflação global, embora os futuros tenham voltado a excluir a possibilidade de quaisquer cortes este ano na sequência do colapso das negociações de paz. Isto poderá, contudo, mudar muito rapidamente caso se vislumbre algum sinal de avanço antes do fim do cessar-fogo de duas semanas, na próxima quarta-feira.

GBP

Os desenvolvimentos internos têm ficado em segundo plano face à guerra quando se tenta explicar o desempenho da libra esterlina. Em circunstâncias normais, começaríamos a preocupar-nos com as eleições de maio, com o risco de uma política orçamental mais expansionista e com um quadro legislativo menos favorável às empresas. No entanto, as notícias da guerra com o Irão estão a eclipsar tudo o resto, e a pressão sobre a posição do Primeiro-Ministro Starmer dissipou-se em grande medida, pelo menos por agora.

O conjunto de dados de fevereiro, a publicar esta semana, tem demasiado desfasamento temporal para contribuir para a compreensão do impacto da guerra. As comunicações do governador do Banco de Inglaterra, Bailey, na terça-feira, terão um peso muito maior. Esperamos que volte a afastar a perspetiva de uma subida imediata das taxas de juro e, dado que o CPM estava preparado para baixar as taxas antes da guerra com o Irão, continuamos a ter dificuldade em aceitar a ideia de um aperto monetário agressivo este ano, especialmente se nas próximas semanas se registar uma nova desescalada. Salvo surpresas nesta frente, a libra esterlina deverá negociar praticamente a par da moeda comum, condicionada sobretudo pelas notícias da guerra.

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