As ações recuaram e o dólar valorizou face à maioria dos seus pares, com os investidores a procurarem refúgio em ativos seguros, enquanto os exportadores líquidos de matérias-primas foram favorecidos devido às melhorias esperadas nos termos de troca. As expectativas de subidas de taxas por parte dos bancos centrais continuam a aumentar, e os mercados já atribuem uma probabilidade não negligenciável a uma subida por parte da Fed já na reunião desta semana. A valorização do dólar na semana passada foi notável, tendo em conta o anúncio da mais recente tentativa de Trump de avançar com tarifas e as fazer passar pelo sistema judicial dos EUA, reforçando a ideia de que as expectativas em torno da política monetária voltam a ser o principal fator a determinar os movimentos cambiais.
As notícias, durante o fim de semana, de que os EUA e o Irão estão a suspender os ataques trouxeram algum alívio moderado aos ativos de risco, pelo menos até agora. O foco principal desta semana será, no entanto, a reunião de julho da Reserva Federal, na quarta-feira. Continuamos a não esperar qualquer alteração, embora os mercados considerem esta reunião como estando "em aberto" e, no mínimo, o FOMC deverá manter a possibilidade de subir as taxas em setembro. O Banco de Inglaterra também se reúne na quinta-feira, embora não se espere qualquer ação. A semana encerra com a publicação, na sexta-feira, dos dados preliminares de inflação na Zona Euro relativos a julho.
EUR
Como esperado, o Banco Central Europeu manteve as taxas inalteradas na semana passada e não se comprometeu explicitamente com uma trajetória de subidas, sublinhando que as decisões continuam dependentes dos dados. O tom da presidente Lagarde foi, no entanto, hawkish, tendo deixado claramente em aberto a possibilidade de uma nova subida de taxas em setembro, ao afirmar que o banco disporá de muito mais informação até à próxima reunião.
A combinação entre a recuperação dos preços da energia, o tom mais positivo dos dados económicos e a comunicação hawkish de Lagarde levou os investidores a atribuir uma probabilidade de 80% a uma nova subida na reunião de setembro. A surpreendente recuperação dos PMI de julho reforça ainda mais esta visão. Os dados de inflação desta semana poderão contribuir de forma significativa para selar essa decisão, uma vez que os economistas esperam que o índice global se mantenha muito próximo dos 3%, ou seja, claramente acima do objetivo do BCE.
USD
Os dados dos indicadores económicos divulgados na semana passada confirmaram o tom globalmente positivo da economia norte-americana. Os dados do PIB do segundo trimestre, a divulgar esta semana, deverão mostrar que a economia dos EUA está a crescer a um ritmo próximo dos 6% em termos nominais, sem sinais de abrandamento, e com a inflação ainda significativamente distante do objetivo da Fed pelo sexto ano consecutivo. Este contexto económico, associado à recente subida dos preços da energia, dará argumentos aos membros mais hawkish do FOMC esta semana.
Embora não esperemos uma subida de taxas na reunião desta semana, consideramos que a comunicação do banco será inequivocamente hawkish. O comunicado voltará a ser curto e evitará certamente o tipo de orientação futura ("forward guidance") pela qual o presidente Warsh tem demonstrado uma clara aversão. No entanto, a comunicação que o acompanha deverá indicar aos mercados que, caso a guerra com o Irão se prolongue e os preços do petróleo se mantenham nos níveis atuais ou acima destes por um período significativo, novas subidas de taxas poderão estar para vir.
GBP
Ficou concluída a primeira semana de Andy Burnham como primeiro-ministro britânico. A sua escolha surpreendente de John Healey para chanceler tem sido bem recebida, dada a sua reconhecida responsabilidade orçamental e experiência no Tesouro. No entanto, começam a notar-se alguns sinais de nervosismo entre os investidores, uma vez que os cortes de impostos anunciados até agora parecem não estar financiados e aumentam o risco de futuras subidas de impostos e de maior endividamento. Correndo o risco de parecer excessivamente cético, identificamos aqui um certo "açucarar da pílula", já que estas medidas — de custo reduzido, mas politicamente eficazes — deverão ser seguidas, no outono, por medidas mais agressivas de aumento de impostos.
Começam a surgir sinais de que o seu governo irá seguir este tipo de políticas de "tax-and-spend" (aumentar despesa e impostos), procurando ao mesmo tempo "máxima flexibilidade" no âmbito das regras orçamentais. Interpretamos esta última expressão como um sinal de que os défices, a dívida e a emissão de gilts irão aumentar ainda mais — um cenário indesejável tanto para a libra como para as gilts. Os mercados cambiais parecem partilhar deste diagnóstico, e a libra tem-se desvalorizado de forma acentuada face ao euro nas últimas duas semanas. Não esperamos informação relevante nova da reunião do Banco de Inglaterra esta semana, uma vez que os dados de salários e inflação divulgados na semana passada estiveram em linha com o consenso.
Relatórios Especiais
1. Atualização Cambial: 5 Aspetos a Acompanhar na Liderança de Burnham
2. Perspetivas Cambiais para a América Latina – julho de 2026
3. Perspectivas de câmbio para o G10 — Julho 2026(Em inglês)
4. Análisis del G10 semanal (Em inglês)
