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Dólar desvaloriza depois dos dados de emprego fracos

Leia o Relatório do G10 aqui (Em inglês)

O relatório de emprego não agrícola de sexta-feira, mais fraco do que o esperado, deu mais argumentos aos membros mais moderados (doves) da Reserva Federal, e os mercados de taxas continuaram a adiar as suas expectativas de subidas de juros nos EUA.

O dólar perdeu terreno face a todas as principais divisas, com a notável exceção do iene. Contudo, esta retração do iene deve ser vista em perspetiva, uma vez que a moeda japonesa continua a valorizar-se fortemente, devido a uma intervenção cambial conjunta e agressiva entre os EUA e o Japão. Para além dos mercados cambiais, os preços das obrigações estabilizaram e os preços das ações continuam a atingir máximos históricos, uma vez que os investidores optam, por agora, por ignorar a falta de progresso nas conversações entre os EUA e o Irão, bem como os preços do petróleo, que se mantêm teimosamente elevados.

Todas as atenções estão agora viradas para o relatório do IPC dos EUA referente a julho, a divulgar na quarta-feira. Até ao momento, a inflação norte-americana tem mostrado poucos sinais de efeitos secundários. Este relatório é um dos dois que faltam antes da reunião-chave da Fed em setembro, pelo que outra leitura moderada, em linha com as expectativas dos economistas, poderá ajudar a confirmar a decisão de manter as taxas inalteradas na próxima reunião. Estaremos também atentos a uma série de importantes leilões de obrigações do Tesouro ao longo da semana. Os dados do PIB do Reino Unido referentes ao segundo trimestre, a divulgar na quinta-feira, serão também uma leitura importante, ainda que desfasada.

EUR


Numa semana com poucos dados em geral, os relatórios nacionais sugerem que a economia alemã está finalmente a beneficiar do aumento da despesa pública, à medida que o grande pacote orçamental de 2025 vai produzindo efeitos. Os indicadores de alta frequência da zona euro, como os PMI de atividade empresarial, recuperaram, sugerindo que o dinamismo económico dos surpreendentemente sólidos números de crescimento do segundo trimestre se está a prolongar pelo terceiro trimestre.

Os mercados estão a atribuir uma probabilidade de 80% a uma segunda subida na reunião do BCE de setembro, o que está a ajudar o euro a continuar a sua recuperação face ao dólar. A notícia de um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz poderá também ser moderadamente positiva para a moeda única quando se concretizar, embora o potencial de valorização aqui possa ser limitado, dado que grande parte das boas notícias já parece estar refletida nos preços de mercado.

USD


O relatório do mercado de trabalho de sexta-feira surpreendeu pela negativa, embora outros indicadores continuem a sugerir poucas alterações na dinâmica do mercado laboral nos EUA, ou seja, uma criação de emprego contida, mas suficiente para absorver a menor oferta de trabalhadores. Vemos poucas razões para alterar a nossa visão sobre a economia norte-americana. Quanto à Reserva Federal, os dados recentes de emprego e inflação reforçam a nossa visão de que o banco central manterá as taxas inalteradas em setembro, o que continua a ser o cenário-base segundo os preços dos futuros, ainda que por pouca margem.

O próximo teste a esta visão será o relatório de inflação de julho, na quarta-feira — os economistas esperam uma ligeira descida tanto na taxa global como na taxa subjacente. Consideramos que seria necessária uma surpresa em alta significativa e pouco provável para inclinar a balança dos votantes do FOMC no sentido de uma subida na reunião da Fed de setembro.

GBP


Os mercados de gilts parecem ter estabilizado recentemente, e os mercados estão a seguir o tom moderadamente positivo dos dados económicos do Reino Unido. Por agora, os sinais de que Andy Burnham poderá adotar uma postura mais relaxada quanto às regras orçamentais do Reino Unido estão a ser ignorados, e a libra esterlina está a acompanhar o bom desempenho generalizado dos ativos britânicos.

Prevê-se que os números trimestrais do PIB desta semana mostrem um abrandamento face ao ritmo forte de crescimento registado no primeiro trimestre do ano, com a economia ainda sustentada pela despesa pública, enquanto o investimento privado fica para trás. Esta não é a melhor base para o crescimento futuro, mas os mercados consideram-na suficiente por agora. Salvo alguma surpresa, esta poderá ser uma semana relativamente calma em termos de notícias britânicas, uma vez que o fluxo constante de anúncios de política tem sido escasso desde que Burnham partiu de férias.

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