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A libra chega ao Orçamento de Outono em alta

Leia a Análise do G10 completa (Em inglês)

A fuga para a segurança regressou na semana passada, num contexto de nova queda das ações ligadas à IA, de notícias de ataques ao Irão e de ofensivas contra instalações petrolíferas sauditas que levaram o Brent a máximos de cinco meses.

Em episódios anteriores, esta combinação teria impulsionado o dólar de forma fiável. Desta vez, o índice do dólar (DXY) registou a segunda semana consecutiva de perdas, mesmo com a procura de ativos de refúgio a favorecer as obrigações do Tesouro dos EUA. Há duas semanas seguidas que o dólar não consegue valorizar com dados de inflação elevados, dados de atividade sólidos ou um movimento de aversão ao risco. Os dados de posicionamento sugerem que os especuladores começaram a desfazer as suas grandes posições longas em dólares. Com tantas notícias positivas já refletidas nos preços e com a operação de compra a inverter-se, consideramos que o dólar atingiu um máximo local.

Entramos agora talvez na semana mais movimentada do trimestre. A Reserva Federal reúne-se na quarta-feira, e o Orçamento de Outono do Reino Unido é apresentado no mesmo dia. O BCE segue na quinta-feira, poucas horas depois da estimativa preliminar do PIB do 3.º trimestre dos EUA e do relatório da inflação PCE de setembro. O Banco do Japão encerra a semana na sexta-feira, em simultâneo com a primeira estimativa do PIB da Zona Euro no 3.º trimestre. A Microsoft e a Alphabet também apresentaram resultados na quarta-feira. Nos mercados impulsionados pela IA, os seus resultados poderão ter relevância para as moedas. As eleições intercalares dos EUA e a decisão do BoE seguem-se na semana seguinte.

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EUR

O euro foi a moeda com pior desempenho entre as principais na semana passada, com os mercados focados nas dificuldades orçamentais e políticas de França. O diferencial entre as obrigações francesas e alemãs voltou a alargar para um nível que não se via desde a crise da dívida soberana de 2011, e as yields das obrigações francesas a 10 anos tocaram os valores mais elevados desde 2002. Os danos já se fazem sentir na economia real: o PMI compósito francês regressou à contração, nos 48,4, arrastando o índice da Zona Euro para um mínimo de quatro meses de 51,9, bem abaixo do esperado. A recuperação por cobertura de posições curtas que assinalámos na semana passada acabou por se desvanecer.

Esperamos que o BCE mantenha as taxas na quinta-feira, e os mercados de swaps estão quase totalmente de acordo. Além das declarações de Lagarde sobre a economia, a atenção dos participantes no mercado e dos jornalistas centrar-se-á, sem dúvida, nos comentários do Conselho sobre a crise da dívida soberana francesa, bem como em qualquer sinal quanto à disponibilidade do BCE para apoiar a dívida francesa. Se Lagarde sublinhar os riscos provenientes de França, ou sinalizar que o BCE está pronto a intervir para apoiar os mercados obrigacionistas, os investidores poderão reduzir as apostas numa subida em dezembro, o que pesaria inevitavelmente sobre o euro.

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USD

Os poucos dados norte-americanos divulgados na semana passada confirmaram uma economia robusta, com pressões inflacionistas a intensificarem-se. O PMI compósito preliminar de outubro desceu ligeiramente, mas permanece próximo de um máximo de cinco anos. Mais preocupante para a Fed, os preços de venda aumentaram ao ritmo mais rápido desde 2022. O dólar, porém, foi sobretudo determinado pela evolução dos mercados acionistas, com um padrão interessante a emergir: uma oscilação contida nas ações ligadas à IA deixa o dólar vulnerável, ao passo que a nota verde mantém o estatuto de uma das moedas de refúgio mais procuradas durante quedas mais amplas das bolsas.

Mantemos a nossa previsão de que a Fed manterá as taxas na quarta-feira. Esperamos que as atenções se centrem nas dissidências e na orientação para dezembro, mês em que uma subida continua a ser uma hipótese real, além de ser a nossa previsão. Os dados do PIB e do PCE de quinta-feira deverão confirmar que a economia está a sobreaquecer. No entanto, o dólar já não valoriza facilmente com boas notícias dos EUA, e vemos os riscos de curto prazo para a nota verde inclinados para a baixa.

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GBP

A libra teve a sequência de dados mais favorável de todas as grandes economias na semana passada. A taxa de desemprego desceu inesperadamente para 4,7%, o valor mais baixo em mais de um ano, e o crescimento salarial regular subiu para 3,7%. A inflação de setembro aumentou para 3,5%, acima do consenso, com a inflação subjacente e a dos serviços a surpreenderem em alta. Além disso, o PMI compósito preliminar de outubro subiu para 53,1, um máximo de oito meses, e as empresas indicaram ter contratado pessoal pela primeira vez em dois anos. A libra valorizou face ao dólar e ao euro, o que é um resultado algo invulgar.

Vemos agora uma subida de taxas do Banco de Inglaterra em novembro como praticamente certa, partindo do princípio de que o Orçamento de quarta-feira não contém grandes surpresas orçamentais que abalem o mercado de obrigações do Tesouro britânico (gilts). Ao contrário dos dois últimos eventos orçamentais de outono, o chanceler parece decidido em manter um perfil discreto e em oferecer poucas surpresas. As subidas de impostos continuam a ser inevitáveis, embora provavelmente pequenas e direcionadas, limitadas a áreas com impacto mínimo percecionado nas perspetivas de crescimento do Reino Unido. Um pacote moderado de medidas que restaure uma margem orçamental saudável seria bem recebido pelos investidores e poderia manter a procura pela libra em alta esta semana.

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Os nossos relatórios
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1. Antevisão do Orçamento de Outono do Reino Unido
2. Antevisão das eleições intercalares dos EUA
3. Webinar sobre as eleições intercalares dos EUA: quatro cenários para o dólar
4. Antevisão da reunião do FOMC de outubro

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